1 - Visão geral e conceito A Análise Tributária por NCM responde uma pergunta que a Reforma Tributária (LC 214/2025) colocou em toda empresa: dos produtos que eu realmente vendo, quais têm tratamento diferenciado de IBS/CBS — alíquota zero, redução de 60%, isenção — e quais seguem em tributação integral? A tela cruza o que a empresa vendeu com a tabela de enquadramento por NCM dos anexos da lei, mede quanto faturamento está em jogo em cada NCM, monta a pergunta objetiva para o escritório contábil, registra a resposta e transforma a resposta confirmada em regra tributária parametrizada no sistema. 1. O que a análise NÃO faz — e por que isso é de propósito A tela não conclui o enquadramento. Ela automatiza a parte mecânica, instrumenta o julgamento e memoriza a decisão — mas quem decide se o produto se enquadra é o escritório contábil (ou, com registro expresso, a própria empresa). Um exemplo real de por que isso importa. Um cliente vende controle remoto de ar-condicionado, NCM 8543.70.99. Esse NCM aparece no Anexo V da LC 214/2025 — mas o item que o anexo beneficia é "agenda eletrônica com teclado em braille", um dispositivo de acessibilidade. Uma tela que cruzasse NCM com anexo e concluísse sozinha teria sugerido redução de alíquota para controle remoto. Seria um erro fiscal com a assinatura do sistema. 2. As três armadilhas do enquadramento por NCM Toda a lógica da tela existe para não cair em uma destas três: Armadilha O que acontece Como a tela trata Código O NCM está no anexo, mas o produto vendido não é o item beneficiado (o caso do controle remoto) Nunca conclui: leva a pergunta ao escritório com a descrição do item beneficiado ao lado do exemplo de produto vendido, para a comparação ser possível Descrição O anexo descreve o item, não o código. Dois produtos no mesmo NCM podem ter tratamentos diferentes A resposta PARCIAL existe justamente para isso, e ela não gera regra — a regra vale para o NCM inteiro Condição O benefício depende de quem compra (Anexos IV, V, VI, XI) ou de para onde vai (Anexo IX, agro) Apura as vendas a ente governamental por NCM e lê a marcação de insumos agropecuários do emitente, em vez de descartar às cegas 3. Por que o universo é o que a empresa VENDE, nunca o cadastro A análise parte das notas fiscais de venda autorizadas do emitente na janela de tempo escolhida — não do cadastro de produtos. A diferença é grande na prática: num cliente real, o cadastro tinha 551 NCMs, mas apenas 271 apareciam em venda no período, e os NCMs que coincidiam com algum anexo caíram de 35 para 11. Trabalhar sobre o cadastro produziria pergunta sobre produto que ninguém vende, e o escritório gastaria tempo decidindo sobre o que não existe na operação. Trabalhar sobre a venda também dá algo que o cadastro não dá: quanto faturamento cada NCM representa, que é o que separa o que importa do que é irrelevante. Só entra venda. Saída fiscal autorizada não é a mesma coisa: bonificação, remessa para industrialização, retorno de demonstração e devolução de compra também são saídas, e nenhuma delas é venda. O filtro usa a marcação de compra/venda da operação, com o CFOP como rede para erro de cadastro — e a aba Avisos lista tudo o que ficou de fora, para o critério ser auditável em vez de confiável no escuro. 4. As duas fontes, com papéis diferentes A tela consulta duas fontes e elas não se substituem: Fonte Papel O que traz Feed de enquadramento por NCM Detecção — diz quais NCMs merecem atenção Anexo, artigo, CST, cClassTrib e, quando disponível, a descrição do item beneficiado e o texto do caput Base oficial da RFB (Calculadora) Conferência — carimba se o sistema e a fonte oficial concordam Confirmação (ou divergência) do cClassTrib apontado, registrada por NCM A tabela de enquadramento não é distribuída dentro do sistema. Ela é buscada em tempo de execução no endereço configurado, e a fonte, a vigência e o ato normativo ficam registrados no relatório gerado. O motivo é simples: regra fiscal muda, e o sistema não assume a autoria dela. 5. O ciclo completo, e quem faz cada parte # Passo Quem faz Onde 1 Deixar os pré-requisitos em ordem (cadastro fiscal de IBS/CBS, NCM, grupo tributário) Administrador / responsável fiscal Capítulo Configuração inicial 2 Rodar a análise e ler o resultado Responsável fiscal da empresa Capítulo Rodar a análise 3 Gerar a planilha e enviar ao escritório contábil Responsável fiscal Capítulo A planilha para o escritório 4 Responder o enquadramento de cada NCM Escritório contábil Capítulo Guia para o escritório contábil 5 Importar a resposta (ou confirmar sem planilha, com procedência) Responsável fiscal Capítulos A planilha e Confirmar sem planilha 6 Cadastrar as regras tributárias sugeridas Responsável fiscal Capítulo Parametrizar as regras 7 Gerar o relatório final como documentação da decisão Responsável fiscal Capítulo O relatório para o cliente 6. O que a feature entrega Planilha de trabalho (Excel, várias abas) — é também o formulário que o escritório preenche e devolve Relatório do cliente (Word editável + PDF) — documento formal, sem jargão técnico, que serve como documentação da decisão Regras tributárias parametrizadas — sempre com confirmação na tela, nunca em lote Memória da decisão — o parecer do escritório fica guardado por NCM e é reaproveitado nas análises seguintes, com a data e quem autorizou 7. Um resultado comum, e por que ele não é uma falha Em muitas empresas — especialmente distribuição e indústria — a conclusão é que nenhum produto vendido se enquadra em anexo nenhum. Isso não é a análise "não ter encontrado nada": é a resposta. Tributação integral vem acompanhada de direito a crédito integral. Quando a conclusão é "nada se aplica", o valor da análise é duplo: você passa a ter documentado por que a empresa não usa benefício (o que sustenta a posição numa fiscalização) e a atenção se desloca para onde o ganho realmente está — gestão de créditos e correção de classificação fiscal. Próximo capítulo: Configuração inicial — o que precisa estar em ordem antes da primeira análise.